Benefícios do aleitamento materno

Amamentar vai além de nutrir: é um cuidado que fortalece o vínculo mãe-bebê e repercute na saúde física, cognitiva e emocional. O leite materno é hoje o padrão-ouro da alimentação infantil: fácil de digerir, completo e suficiente como única fonte de nutrição até o sexto mês, inclusive em climas quentes (não é necessário oferecer água, sucos, chás ou outros leites).

A recomendação oficial é amamentação exclusiva até 6 meses e manutenção do
aleitamento até 2 anos ou mais, com introdução de alimentos saudáveis após o 6º mês.
Amamentar na primeira hora de vida ajuda nas contrações uterinas, favorece a descida do leite, transfere defesas da mãe e reforça o laço afetivo, inclusive após cesáreas.

Benefícios para o bebê

● Proteção contra infecções: menor ocorrência de diarreias e infecções respiratórias; redução de alergias.
● Menor risco futuro de doenças crônicas: evidências apontam menos hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade na vida adulta entre amamentados.
● Crescimento e desenvolvimento: melhor ganho pondero-estatural e contribuição para o desenvolvimento cognitivo (crianças amamentadas tendem a apresentar melhor desempenho intelectual).
● Saúde bucal e fala: a sucção no peito estimula e fortalece a arcada dentária e contribui para o desenvolvimento adequado da fala.
● Conforto digestivo: digestão facilitada e menos cólicas.


Estudos associam a amamentação exclusiva até 6 meses a menores riscos de morte:

redução de 41% em comparação ao aleitamento predominante; 78% em relação ao parcial; e 88% quando comparada à ausência de amamentação. Há, ainda, estimativa de 13% de redução da mortalidade em menores de 5 anos vinculada ao aleitamento.

Benefícios para a mãe
● Pós-parto mais seguro: menor sangramento e recuperação uterina mais rápida.
● Saúde a longo prazo: redução do risco de câncer de mama e de cânceres ginecológicos (como ovário e útero); proteção cardiovascular (menor risco de infarto) além de menor chance de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão e colesterol alto.
● Bem-estar geral: auxílio na perda de peso e fortalecimento do vínculo com o bebê.
● Ossos: proteção contra osteoporose.

O leite materno é um alimento sustentável: não demanda energia, água ou combustível para produção, armazenamento e transporte, e não gera resíduos como substitutos lácteos.
Amamentar também reduz custos em saúde ao diminuir doenças na infância e ao longo da vida, com reflexos positivos em nutrição, educação e bem-estar social.

Manejo e prática:
● Posição e pega: bebê de frente para a mãe, bem apoiado, braços livres; nariz na altura do mamilo. Ao abocanhar bem, o queixo encosta na mama, lábios ficam evertidos e o nariz permanece livre.
● Livre demanda: não há horários rígidos. Recém-nascidos mamam várias vezes ao dia e à noite; é importante dizer que nem todo choro é fome.
● Esvaziar a mama: o leite do fim da mamada é mais gorduroso e ajuda no ganho de peso.
● Sons de estalo: podem indicar entrada de ar; ajuste a posição e mantenha o bebê ereto por alguns instantes para aliviar desconfortos.
● Sabores do leite: variam conforme a alimentação materna e facilitam a aceitação de novos alimentos após os 6 meses.
● Mamadeiras e chupetas: não são recomendadas; podem contaminar e atrapalhar a amamentação.


Observação importante:
mulheres vivendo com HIV devem receber orientação médica específica; quando indicado, a amamentação não deve ocorrer e a criança deve receber fórmula de maneira segura.

Preciso retornar ao trabalho, como fazer?
A produção de leite depende de estímulo (sucção do bebê ou extração). Para conciliar trabalho e amamentação:
● Inicie a extração e armazenamento cerca de 15 dias antes do retorno.
● Durante a jornada, extraia o leite algumas vezes ao dia para manter a produção.
● Para extrair manualmente: relaxe, massageie a mama; posicione polegar acima e indicador/médio abaixo da aréola; empurre levemente para trás e comprima (sem deslizar os dedos) em movimentos rítmicos, coletando o leite em frasco limpo.


Bancos de Leite Humano e doação

O Brasil mantém a maior rede do mundo: a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (RBLH), criada em 1998 pelo Ministério da Saúde e Fiocruz. São mais de 225 bancos e mais de 212 postos de coleta em todos os estados, alguns com coleta domiciliar.

● Toda e qualquer mulher saudável que amamenta e não utiliza medicamentos incompatíveis com a doação.
● Cerca de 330 mil bebês/ano nascem prematuros ou com baixo peso e podem depender de leite humano; apenas 45% recebem doação.
● Aproximadamente 150 mil litros/ano são coletados, processados e distribuídos; 1 litro pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia; em alguns casos, 1 ml basta por oferta.
● Procure o BLH mais próximo ou ligue 136 (Disque Saúde) para orientações.

A doação melhora a recuperação e a sobrevivência de prematuros, reduz infecções, diarreias e alergias, e salva vidas.

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