
Nem toda mancha é sinal de problema grave
Manchas, pintas e alterações de cor na pele podem aparecer por diversos motivos: exposição solar, marcas de acne, atrito, alterações hormonais, alergias, infecções, pequenos traumas e até predisposição genética. Essas alterações, na maioria das vezes, são benignas. Ainda assim, algumas manchas merecem atenção porque podem indicar doenças de pele, alterações vasculares, infecções ou, em alguns casos, câncer de pele.
O câncer de pele do tipo não melanoma é o mais frequente no Brasil, segundo o INCA, embora geralmente tenha menor letalidade quando comparado a outros tumores. Já o melanoma é menos comum, porém, mais agressivo; para o triênio 2026-2028, o INCA estima 9.360 novos casos de melanoma por ano no país.
Manchas marrons, brancas, vermelhas ou roxas: o que podem indicar?
Manchas marrons costumam estar relacionadas à exposição solar, melasma, envelhecimento da pele, cicatrizes de acne, queimaduras ou alterações hormonais; manchas brancas podem estar associadas a vitiligo, micoses, sardas brancas ou outras perdas de pigmentação; manchas vermelhas podem surgir por alergias, dermatites, infecções, rosácea ou inflamações; manchas roxas geralmente lembram hematomas, mas, quando aparecem sem trauma aparente ou com frequência, precisam ser avaliadas.
Outro ponto importante: manchas claras, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas
com perda de sensibilidade, formigamento, diminuição de pelos ou suor podem ser sinais
de hanseníase, doença que tem cura e tratamento gratuito pelo SUS.
Quando uma pinta ou mancha pode ser suspeita?
Uma forma simples de observar pintas e manchas pigmentadas é a regra do ABCDE, usada para identificar sinais sugestivos de melanoma:
A – Assimetria: uma metade da pinta é diferente da outra;
B – Bordas: o contorno é irregular ou mal definido;
C – Cor: há várias cores na mesma lesão, como preto, marrom, vermelho, branco ou azul;
D – Diâmetro: a lesão tem mais de 6 mm;
E – Evolução: houve mudança de tamanho, cor, forma, espessura, coceira, sangramento ou descamação.
Segundo o INCA, na maioria das vezes essas alterações não são causadas por câncer, mas devem ser avaliadas por um médico quando aparecem.
Outros sinais de alerta na pele
Além da regra do ABCDE, também é importante procurar avaliação quando houver ferida
que não cicatriza, mancha que coça, descama, sangra ou forma crostas, lesão que cresce
com o tempo, pinta que mudou de aparência ou qualquer marca nova que pareça diferente
das demais.
O Ministério da Saúde lista como sinais importantes do câncer de pele manchas que coçam,
descamam ou sangram; pintas que mudam de tamanho, forma ou cor; e feridas que não
cicatrizam em até 4 semanas.
Quem deve ter mais atenção?
Pessoas com histórico tanto pessoal quanto familiar de câncer de pele, muitas pintas pelo corpo, pele muito clara, exposição solar intensa ao longo da vida, queimaduras solares repetidas ou trabalho ao ar livre devem redobrar os cuidados. O INCA também destaca a exposição prolongada e repetida à radiação ultravioleta como um dos fatores de risco para melanoma, especialmente em trabalhadores expostos ao sol, como agricultores, trabalhadores da construção civil, pescadores e garis.
Como prevenir manchas e câncer de pele
A prevenção começa com fotoproteção diária: evitar exposição prolongada ao sol, especialmente entre 10h e 16h; procurar sombra; usar chapéus, óculos escuros, roupas de proteção e filtro solar adequado. O INCA recomenda o uso de filtro solar com FPS 15 ou mais, com proteção contra raios UV-A, aplicado antes da exposição e também sendo reaplicado a cada duas horas ou após nadar, suar ou se secar com toalha.
Também é importante observar a própria pele com regularidade. Conhecer suas pintas e manchas ajuda a perceber mudanças mais cedo. E, quando houver dúvida, o melhor caminho é procurar um dermatologista, sem tentar clarear, remover ou tratar a lesão por conta própria.
Cuidar da pele está longe de ser apenas uma questão estética: é também uma forma de prevenção e diagnóstico precoce.
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