Cuidados com a saúde mental

Você tem cuidado da sua saúde mental?
A saúde mental, dentre todos os pilares, é um dos mais importantes para o bem-estar humano, mas ainda recebe menos atenção do que deveria. Estima-se que, em todo o mundo, mais de 700 mil pessoas morram por suicídio a cada ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, são cerca de 14 mil mortes anuais, representando em média 38 casos por dia. Esses números revelam uma urgência de abordarmos o tema com seriedade, rompendo tabus e incentivando a busca por apoio especializado.

Entendendo a saúde mental como parte da saúde integral
Durante muito tempo, falar sobre transtornos mentais foi considerado um tabu. O medo de
julgamentos, somado a concepções religiosas ou morais, fez com que muitas pessoas deixassem de procurar ajuda. Hoje, a ciência já demonstra que o suicídio está associado, em quase 100% dos casos, a condições psiquiátricas – como depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia ou dependência química – muitas vezes não diagnosticadas ou tratadas de maneira insuficiente.

Além das doenças mentais, existem fatores sociais, culturais e familiares que também podem influenciar o risco. Conflitos no ambiente escolar, violência, uso problemático das redes sociais e falta de suporte familiar são exemplos de contextos que podem aumentar a vulnerabilidade, sobretudo em adolescentes.

A realidade entre crianças e adolescentes
O aumento dos casos entre os jovens chama a atenção de pesquisadores e instituições.
Dados da Fiocruz Bahia mostram que, entre 2011 e 2022, a taxa de suicídio entre adolescentes brasileiros cresceu 6% ao ano, enquanto na população geral o aumento foi de 3,7%. O fenômeno preocupa especialistas porque revela a fragilidade de uma faixa etária que deveria estar protegida por políticas públicas, família e escola.

Ainda mais alarmante é a constatação de que a faixa etária dos 10 a 14 anos também apresentou crescimento expressivo nas taxas de mortalidade por suicídio. Entre os fatores de risco estão o bullying, a exclusão social e o despreparo para lidar com pressões emocionais precoces.

Como identificar sinais de alerta
Um dos grandes desafios é reconhecer quando alguém está em sofrimento emocional.

Muitos sinais podem ser sutis, mas existem mudanças que merecem atenção:
● isolamento e afastamento das relações sociais;
● queda no desempenho escolar ou profissional;
● alterações no sono e no apetite;
● perda de interesse por atividades antes prazerosas;
● frases que demonstrem desesperança, como “não aguento mais viver” ou “queria desaparecer”.

Reconhecer tais sinais pode salvar vidas. A escuta ativa, sem críticas ou julgamentos, é essencial para que a pessoa se sinta acolhida e, assim, aceite buscar apoio especializado.

O papel da sociedade na prevenção
A prevenção do suicídio e a promoção da saúde mental não são responsabilidades exclusivas de médicos e psicólogos. Toda a sociedade deve estar envolvida. Escolas, empresas, famílias e órgãos públicos podem atuar de forma integrada, criando espaços de diálogo, reduzindo o estigma e promovendo informações confiáveis.

Campanhas como o Setembro Amarelo têm contribuído para ampliar a conscientização, iluminando prédios em amarelo, promovendo palestras, rodas de conversa e distribuindo materiais educativos. Essas ações reforçam a mensagem de que pedir ajuda é um ato de coragem, não de fraqueza.

Onde buscar ajuda
Em situações de crise, é fundamental procurar atendimento especializado com psiquiatras ou psicólogos. Além disso, serviços de apoio emocional oferecem acolhimento imediato. O Centro de Valorização da  Vida (CVV) é referência nesse trabalho: basta ligar para o número 188, disponível gratuitamente 24 horas por dia, ou acessar o site www.cvv.org.br.

A saúde da mente e do corpo merecem igual atenção. Falar sobre emoções, buscar tratamento adequado e apoiar quem enfrenta sofrimento são passos fundamentais para reduzir as taxas de suicídio e valorizar a vida. Cada gesto de empatia, cada palavra de incentivo e cada ato de acolhimento podem representar a diferença entre perder alguém ou oferecer a essa pessoa uma nova chance de viver com dignidade e esperança.

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