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O Novembro Azul surgiu para chamar a atenção dos homens para algo que os dados já mostravam há anos: o câncer de próstata ainda é o tumor maligno mais frequente no
homem brasileiro, excluindo o de pele não melanoma, e continua sendo uma causa importante de morte.
Mesmo assim, os serviços de saúde registram que muitos diagnósticos ainda chegam tarde, e, quando o tumor está avançado, o tratamento fica mais complexo e a chance de cura é reduzida.
As próprias publicações do Ministério da Saúde e do INCA mostram uma curva que não dá para ignorar:
● na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013, o câncer de próstata foi o mais
incidente no primeiro diagnóstico oncológico em homens adultos: 36,9%;
● em 2015, o país registrou 14.484 mortes por câncer de próstata;
● para 2016, o INCA estimou 61.200 novos casos;
● para o biênio 2018/2019, a estimativa subiu para 68.220 novos casos por ano;
● materiais mais recentes usados em campanhas regionais falam em mais de 70 mil
novos casos no país em 2023, mantendo o tumor no topo entre os homens;
● em algumas regiões, como o Nordeste, foi registrada mortalidade média de 15,9
mortes por 100 mil homens, maior que a média nacional citada nas campanhas.
Ou seja: mesmo com campanha anual, o câncer de próstata continua aparecendo muito e ainda é bastante letal. E o próprio INCA lembra que ele é responsável por 28,6% das mortes por neoplasias malignas em homens nas estatísticas nacionais.
O que é, afinal, a próstata?
A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, pesa em torno de 20g, lembra o formato de uma castanha e fica logo abaixo da bexiga. Ela produz parte do líquido que forma o sêmen. Justamente por estar nessa posição, qualquer alteração de volume ou de textura pode interferir na urina, por esse motivo que sintomas urinários chamam atenção na fase avançada.
Por que o diagnóstico ainda chega tarde?
Porque o câncer de próstata, dentre todas as características, tem uma que característica que é realmente ingrata: nas fases iniciais ele geralmente não traz sintomas. Quando começam a aparecer queixas como dor ao urinar, vontade de urinar muitas vezes, sangue na urina ou no sêmen e dor óssea, cerca de 95% dos tumores já estão em fase avançada.
Chegar nessa fase significa menos chance de tratamento curativo.
E tem outro ponto: poucos homens fazem o exame de toque. A PNS de 2013 mostrou que só 25% dos homens com 50 anos ou mais haviam feito toque retal no ano anterior. É pouquíssimo para uma doença silenciosa. O preconceito e a desinformação são citados nas campanhas como obstáculos reais.
Quem deve se cuidar antes
● idade: a maioria dos casos acontece depois dos 60 anos; na PNS, 56,2% estavam
entre 65 e 74 anos;
● histórico familiar: pai, irmão ou tio com câncer de próstata aumenta a chance e
antecipa o início da vigilância;
● homens negros: tende a ser mais agressivo e a ter taxas de mortalidade mais altas;
● obesidade/sobrepeso: associada a pior evolução.
Homens com fatores de risco devem conversar sobre avaliação a partir dos 45 anos; os demais, a partir dos 50.
Como é feita a detecção
1. PSA (antígeno prostático específico): exame de sangue que faz a medição de uma proteína fabricada pela próstata. PSA alto pode ser câncer, mas pode ser também aumento benigno.
2. Toque retal: exame feito pelo médico para avaliar tamanho, consistência e presença de nódulos. É indispensável porque o próprio chefe da urologia do INCA, lembra que há casos em que o PSA não sobe mesmo havendo câncer em atividade.
3. Biópsia da próstata: só ela confirma o diagnóstico quando há alteração no PSA e/ou no toque.
Prevenção e estilo de vida
O material do Ministério da Saúde e do INCA encaixa o Novembro Azul numa visão mais ampla de saúde do homem. A mensagem é: você não cuida só da próstata, você cuida do corpo todo. E aí entram as recomendações já amplamente divulgadas:
● alimentação com mais frutas, verduras, legumes e menos gordura de origem animal;
● prática regular de atividade física (eles citam 30 minutos por dia);
● manter peso adequado;
● não fumar;
● reduzir álcool;
● controlar pressão, glicemia e colesterol;
● manter a carteira vacinal em dia.
Novembro Azul e “Novembrinho Azul”
Uma informação nova é a Lei Federal 14.694, que institui o “Novembrinho Azul”, voltado para meninos até 15 anos, para falar de:
● dor ou aumento de volume testicular;
● prevenção de infecções;
● vacinação contra HPV.
Ou seja, o Brasil está buscando educar a população sobre o cuidado urológico mais cedo, mostrando que o cuidado da saúde do homem não começa aos 50 anos.
O que fazer, na prática, neste Novembro Azul
● Se você tem 50 anos ou mais e nunca conversou sobre próstata, procure a unidade de saúde e fale com o médico ou enfermeiro.
● Se você tem 45 anos e fatores de risco (familiar de primeiro grau doente, é um homem negro, possui obesidade), antecipe.
● Se você tem sintomas urinários ou sangue na urina/sêmen, procure um especialista!
● Se você coordena o serviço de saúde, use o Novembro Azul para chamar quem está afastado, explique o que é toque e PSA e reduza o medo e a desinformação, passe para frente a informação de que o exame é rápido e seguro.
O câncer de próstata é frequente, muitas vezes silencioso e mais tratável quando descoberto mais cedo. Transformar essa informação em consulta, exame e acompanhamento é o passo que faz a campanha sair do papel e realmente entrar na vida dos homens.
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